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12 fevereiro 2017

Resenha: O apanhador no campo de centeio - J.D.Salinger

Olá, pessoas!
Eu falei que as férias seriam abarrotadas de resenha, né? Só que a realidade foi um pouco diferente... #sorry
Porém, venho trazer a resenha de um ótimo livro com um péssimo personagem principal. Um clássico da literatura americana que já gerou muitas polêmicas - inclusive envolvendo assassinatos, pasmem!
Então vamos ao que interessa!

Título: O apanhador no campo de centeio
Autor: J.D.Salinger
Sinopse: Um garoto americano de 16 anos relata com suas próprias palavras as experiências que ele atravessa durante os tempos de escola e depois. Revela tudo o que se passa em sua cabeça. O que será que um adolescente pensa sobre seus pais, professores e amigos?
Editora do Autor
Nº de páginas: 208
Onde comprar? Saraiva Submarino

O livro conta a história de Holden Claufield, um jovem nova yorkino de dezessete anos que é expulso do internato Pencey Prep alguns dias antes da pausa para as festividades natalinas. Não querendo encarar as consequências de seus atos - ele já tinha sido expulso de outros colégios por conta de seu descaso com os estudos -, Holden decide passar o final de semana em Nova York, onde encontra velhos amigos, uma ex-namorada, muitas confusões e longas noites de solidão e pensamentos quase excessivamente depressivos.

Apesar do romance ter sido publicado em 1965 e se passar em 1949, a linguagem utilizada no livro é de certo modo atual, embora um tanto desgastante. Holden é um dos piores protagonistas que já conheci. Ele é mimado, reclamada de todos os cenários possíveis e tem uma tara pela palavra "phony" (não sei como traduziram para o português). A narrativa pode ser um tanto estranha e confusa no início, porque os eventos são descritos em uma ordem um tanto desconexa. Holden começa a descrever um determinado acontecimento e de uma hora para outra o assunto muda completamente, fazendo com que muitas vezes não se chegue ao ponto.
Claro, nas discussões em sala de aula nós debatemos sobre isso. O estilo escolhido por Salinger é proposital; ele quer nos fazer ler a história exatamente como se os pensamentos estivessem fluindo como uma cascata da cabeça de Holden para o pedaço de papel. Porque é exatamente isso que o romance é: uma tentativa de escapatória de Holden por meio da escrita.
Claufield tem extrema dificuldade em se distanciar do passado, da infância, e passar para a vida adulta. Para ele, o mundo adulto é todo "phony" e deve ser evitado a todo custo. Ironicamente, Holden está no limiar entre a infância e a maioridade. Ele fuma, sempre fala sobre como quer transar com uma garota, se embebedar, comprar coisas com seu próprio dinheiro. Contudo, ao mesmo tempo, ele se recusa a aceitar essa transformação. Em um episódio do livro, ele chama uma prostituta, mas no final acaba desistindo e só quer conversar com a moça. Em outro caso, ele quer fugir, desaparecer, mas desiste. Ou seja, ele é um covarde que só fala, fala e não faz nada.
Holden Claufield é o menino mais inconstante que eu já vi na vida! Não é porque ele é adolescente, como vários argumentam. Ele é assim porque, desculpa o vocabulário, ele é chato para caceta! Está preso ao passado e tem medo do futuro, de mudanças, porque é traumatizado com um evento que aconteceu e que ele gostaria com todas as forças poder mudar. Mas não pode, porque essa é a vida e ele precisa aprender a seguir em frente.

O romance é repleto de simbolismos, que são interessantíssimos de se discutir. Há o carrossel, o chapéu de caça vermelho que ele usa diversas vezes durante o livro apesar de ficar ridículo, o Museu de História Natural, o próprio termo "apanhador no campo de centeio" e até mesmo os patos do Central Park!
É um livro incrível, realmente. Acho que, se não tivesse que ler tantos outros materiais enquanto o tinha em mãos, teria terminado em dois dias. Fora a irmã dele, Phoebe, todos os outros personagens são um tanto entediantes, para ser sincera. Eu não posso debater tanto quanto queria, porque senão vou soltar muitos spoilers. Mas, caso vocês se interessem, podem mandar email assim que terminarem a leitura, ou podem assistir a esses dois vídeos do John Green (ele mesmo, autor de A Culpa é das Estrelas), que são muito interessantes.

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Bom, por hoje é só.
Espero que tenham se interessado, porque não sabem o que estão perdendo. Se não gostam de clássicos, relaxem, porque eu também já cheguei a pensar assim e é pura bobagem.

Até a próxima, bitches!
XOXO

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