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08 novembro 2015

Conto - A tempestade

Oiii, galere. Então, tenho que apresentar um conto na faculdade em que o real se misture com o fictício, por isso queria postar aqui e ver a opinião de vocês. Me contem se gostaram ou não, por favor!

Já era tarde, por volta da meia-noite. Ana estava sentada na cama, recostada na cabeceira. As crianças dormiam tranquilamente no quarto no final do corredor e seu marido estava deitado ao seu lado. Chovera o dia inteiro; ventos estrondosos e fortes o bastante para derrubar uma árvore, que causou problemas na fiação e, consequentemente, deixou o bairro imerso na escuridão.
A tempestade não dava trégua, as pesadas gotas batendo contra o vidro e ressoando como tiros. Ana não conseguia dormir, estava agitada demais para isso. Mais cedo, tinha confiscado um dos livros do filho, uma história boba sobre zumbis. Agora, capturada pela insônia, ela observava com olhos curiosos o livro, que estava na sua mesinha de cabeceira. Decidiu pegá-lo. Afinal, não havia nada melhor para fazer.
Acendeu uma vela, folheou as páginas, leu alguns trechos, e escolheu um dos capítulos aleatoriamente. Um homem, Jeff era seu nome, corria freneticamente por um shopping center, fugindo das criaturas. Tinha uma escopeta em punhos, roubada de um policial já falecido, meramente carregada. Só havia uma bala; ele teria que se virar com isso.
Subiu aos tropeços os degraus da escada rolante, que não funcionava por conta da falta de luz. Os rosnados famintos dos zumbis zumbiam às suas costas, cada vez mais perto. Jeff olhou por sobre o ombro e imediatamente se arrependeu de sua decisão. Pisou em falto e caiu com tudo no chão, batendo o cotovelo e o pulso direitos. Por causa do impacto e da dor, Jeff foi obrigado a soltar a arma, que escorregou pelos degraus, parando milagrosamente a três de distância.
Ele se levantou rapidamente e, numa corrida desesperada contra os zumbis que se aproximavam, alcançou a escopeta. A arma pulava em suas mãos como uma batata quente, o nervosismo deixando-as suadas e trepidantes. Cinco segundos, ele calculou mentalmente. Este era o tempo que tinha para preparar a arma, atirar e continuar subindo a escada até a saída de emergência. Jeff mirou a cabeça do zumbi e apertou o gatilho sem pensar duas vezes.
A explosão ressoou no andar de baixo, alta e estrondosa, fazendo Ana pular de susto. Subiam as escadas com rapidez, aproximando-se cada vez mais. Ela envolveu o edredom com força, temendo o que estava por vir. Uma batida na porta, seguida de outra, estrondosa. Um grito de dor. Rosnados.
Ana olhou para o marido, que ainda dormia tranquilamente. Será que só ela estava ouvindo aquilo? Mirou o livro, passando rapidamente pelas frases. Seu coração estava acelerado e descompassado, retumbando por seu corpo inteiro. Mais uma batida à porta, seguida de arranhões.
Ana se levantou da cama e, com passos cautelosos, se aproximou da porta. A maçaneta girava freneticamente. Ela engoliu em seco e descansou a mão no círculo dourado, decidindo se destrancava a porta ou não. Segurou o livro acima da cabeça, numa posição de ataque. Girou o trinco e abriu a porta de supetão.
Ela parou o golpe no ar ao ver sua filha e o cachorro, que a encaravam num misto de surpresa e medo.
           - Me leva ao banheiro, mamãe?

4 comentários :

  1. Respostas
    1. Que bom que gostou, Nayane!!! :)
      Se procura por histórias, estou postando no Wattpad, é só procurar por gothaadream
      Beijos!

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    2. Muito legal. "...sem pensar duas vezes.". E continuou com Ana, muito criativo e inesperado.

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    3. Obrigada, Lhama Medieval! Foi para um trabalho na faculdade ^^

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